Os japoneses passam a utilizar duas
terminologias para diferenciar suas
artes marciais antigas das que estavam
surgindo nessa época: as koryu são as
escolas tradicionais (antigas) de artes
marciais. O foco principal é o
treinamento militar. Exemplos dessas
artes são o ju-jutsu (técnica/arte suave),
ken-jutsu (técnica da espada), iai-iutsu
(arte de desembanhar a espada), so-
jutsu (arte da lança), kyu-jutsu (arte do
arco e flecha), hojutsu (arte das armas
de fogo)…
Por outro lado, as gendai budō são
as escolas modernas de artes marciais.
Elas surgem após a restauração Meiji.
O foco principal é o desenvolvimento
pessoal, por meio do treinamento das
lutas. Muitas dessas também utilizam a
prática das artes marciais como esporte.
O sufixo “dô” é usado para nomear
essas escolas. Alguns exemplos são o
judô, kendô, iaidô, kyudô, aikidô,
karatedô… Além disso, adotam
sistemas de rankings de kyu (cores de
faixas) e dans, que não existiam antes.
Em termos de metodologia de treino
também havia diferenças. Existiam as
escolas de ju-jutsu que davam ênfase a
prática de movimentos coreografadas,
conhecidos como kata. Os kata eram
uma forma segura de treinar técnicas
consideradas “mortais”. Defensores
desse método consideravam importante
manter todo arsenal técnico da sua arte,
mesmo que só fosse treinado de forma
ensaiada.
Uma outra metodologia focava mais
na prática do randori (luta/ róla ou
sparring). Os mestres dessas escolas
acreditavam que era fundamental
praticar de forma real. Entendiam que
para ser efetivo, não adianta conhecer
um monte de golpes considerados
“mortais” se não souber aplica-los em
um adversário que opõe resistência
(não colaborativo). Para possibilitar um
treino de randori (luta), era preciso
limitar o uso de alguns golpes,
retirando aqueles que não permitiam
aos alunos sua aplicação de forma
segura. Esses mestres defendiam que
golpes seguros não são menos
eficientes. Por exemplo:
estrangulamentos, apesar de altamente
eficientes em um confronto real, são
seguros se pararmos o golpe assim que
o parceiro desistir. O resultado é que o
aluno que treina de forma real (com
resistência), mas somente com técnicas
seguras, se sai muito melhor num
combate do quê o aluno que treina
técnicas supostamente “mortais” de
forma irreal (sem resistência do
parceiro). Jigoro Kano era adepto dessa
segunda forma de treinamento.
Pouco tempo após sua abertura a
Kodokan se estabelece como uma das
principais academias de Tóquio e
começa receber desafios de outros
estilos de ju-jutsu tradicional, vencendo
a maioria. Isso faz com que muitos
alunos de outras escolas de koryu ju-
jutsu migrem para lá.